Get a life / Tenham vida

​A vasta maioria das pessoas não trabalha em dias feriados ou fins-de-semana, a não ser os serviços permanentes como hospitais, bombas de gasolina, restaurantes, museus, centro comerciais… 

No meu ramo os dias feriados existem consoante o projecto. Na realidade, a nossa vida laboral resume-se a dias de trabalho e dias de folga. Não são as datas que prevalecem, mas sim o trabalho que tem de ser feito. Se tivermos trabalho num domingo, pois o domingo será um dia de trabalho. Se as tarefas se prolongarem por vários dias e semanas, só existirão dias de trabalho. E isto leva a uma grande flexibilidade da parte do trabalhador, flexibilidade de horário de trabalho em detrimento de todos os outros interesses pessoais, quando os há! 

E aqui surge uma questão: quem nasceu primeiro? O trabalho que tem de ser feito em muito curtos prazos de tempo ou o trabalhador desenfreado que aceita este desequilíbrio?

Temos uma tendência natural a acomodar-nos pelas mais variadíssimas razões: pura preguiça de pensar, por medo de sermos rejeitados, pela insegurança de não voltar a arranjar emprego rapidamente ou por baixa auto-estima. Qualquer um destes sentimentos ( e seguramente outros mais) conduzem-nos a aceitar dias de trabalho de horas sem fim. Ainda hoje vi um anúncio que descrevia a empresa e o seu excelente ambiente, as respetivas funções dos cargos em que precisam de reforçar a equipa e imediatamente antes da conclusão de incentivo à candidatura mencionavam que teríamos de estar dispostos a trabalhar das 8am às 8pm dias de semana, fim-de-semana e feriados. 

Ora isto leva -me a crer que as empresas e os seus astutos recrutadores procuram em nós outros requisitos que não os literários ou profissionais. Enquanto formos desequilibrados, as empresas não pagarão os nossos conhecimentos, continuarão a pagar o nosso comodismo estúpido! 

Está na hora de muitos arranjarem uma vida! 

Foto: Unplash

Back to work / Regresso ao trabalho

Quando vou de férias, demoro sempre um par de dias a desligar dos horários e dos afazeres profissionais. É uma descompressão progressiva.
No primeiro dia, durmo mais uma hora do que o habitual, penso no trabalho outra hora.
No dia seguinte já sou capaz de dormir mais duas horas do que o horário habitual e já só penso meia hora no trabalho.
No terceiro dia, acordo o quanto antes para aproveitar o máximo e já não penso senão nesta condição que me cai que nem uma luva: férias!
É como entrar no mar para o primeiro mergulho mal chegamos à praia. Vamos entrando aos poucos ambientando o corpo à temperatura do oceano. Molha daqui, molha dali. Quando finalmente mergulhamos, já não pensamos em sair da água. Esquecemos o quão fria está para nos entregarmos ao sabor da maré!

Quando regresso ao trabalho o processo é ao contrário: durmo menos e sofro a pressão progressivamente.
No primeiro dia, durmo menos três horas do que aquelas que o corpo pede e relembro as férias sete vezes durante o dia.
No segundo, durmo menos duas horas do que as que o corpo pede e relembro as férias três vezes.
No terceiro dia, levanto-me quinze minutos mais tarde que a hora estipulada porque adormeci e esqueço as férias passadas porque só tenho olhos para as futuras!

Hoje foi o meu primeiro dia de trabalho depois de duas semanas que souberam a pouco face ao proveito ter sido tanto!
Hoje foi o primeiro dia, amanhã será o segundo… a água não está fria, está gelada!