Go / Vai

Há quem sonhe a dormir. Há quem sonhe acordado. Eu não sou excepção, sonho das duas maneiras. Mas confesso que sonho muito  mais acordada, o que para mim é uma vantagem porque me lembro de tudo e até tiro notas! 

A propósito de sonhar acordada, descobri o blog da Jo. Primeiro viajei com ela, agora consulto-o para futuras viagens que, de momento, ainda não passaram de sonho. Como sempre, o que considero bom para mim,  partilho. Portanto Aqui fica o link: http://jolandblog.com/cronicas-de-viagem/

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Roadtrip 3 Day 2 / Passeio de carro 3 Dia 2

​Durante a semana não há margem para a preguiça, mas ao fim de semana a história é outra!

Esta manhã acordámos tarde. O dia recebeu-nos com uma temperatura agradavelmente fresca comparativamente ao dia de ontem. A manhã já estava a meio e a preguiça continuava esplendorosa na sua inteireza!  Apesar de iniciarmos o regresso a casa pouco antes da hora de almoco, a pressa de chegar era nula. A prova foi optarmos pelo caminho mais longo. 

Não sei por vocês, mas há um paradoxo em mim no que toca ao descanso da mente. Em vez de ficar sossegada a fim de descansar a cabeça, prefiro, por exemplo, andar de carro e apreciar a paisagem, cruzar pequenas localidades, caminhos, casas. Alimento assim a mente de tantas outras realidades que consigo desligar verdadeiramente da minha. 

Roadtrip 3 Day 1 / Passeio de carro 3 Dia 1

Mais do que um passeio de carro, desta vez mais parecia uma fuga! Acordámos, tomamos um duche e metemos duas, três peças de roupa numa pequena mala de viagem. Telemóveis no silêncio e os sentidos virados para o descanso, abraçamos o dia de sábado com o entusiasmo de dois adolescentes. E a derradeira pergunta: Para onde vamos? Desta vez apeteceu-nos ir para sul. 

O que faz parte do dia-a-dia de uns serve de passeio para outros. Atravessámos a ponte sobre o rio Tejo, a Ponte 25 de Abril. Já a sul, mas não suficiente, oferecemo-nos a prazeirosa travessia de ferry pelo rio Sado. Com o sol na pele e cabelos ao vento, o descanso estava perto! 

O meu trabalho ligou-me, o dele também. Atendemos, mas estavamos longe e comprometidos para poder fazer mais do que isso: atender o telefone. 
“Não deixe para amanhã o que pode fazer hoje”, o tanas! Deixe para amanhã tudo o que querem que faça hoje, principalmente se for o seu dia de folga! A menos que seja realmente urgente, como por exemplo salvar uma vida. E ainda assim, nenhum de nós é formado em medicina…

Foot trip / Passeio a pé

​Fez ontem uma semana que regressei da minha roadtrip 2 relatada diariamente neste blog. E é escusado dizer que já estou pronta para fazer a terceira! 

Como a grande maioria das pessoas sonho com viagens de todo o tipo: viagens cá dentro, viagens a países vizinhos e parecidos com o nosso e viagens a países longínquos e exóticos em todas as suas vertentes, enfim… Como a grande maioria das pessoas sonho em viajar!

Mas não sendo a vontade a única rainha do castelo, adio o sonho por preencher o presente com pequenos recantos encantados. Assim, enquanto não saio nem de mochila, nem de carro,nem comboio ou avião, saio a pé. Saio para caminhadas aqui no coração do meu bairro que, modéstia à parte, tem cara de postal!  Mas como sou suspeita, deixo-vos as fotos do cenário anfitrião dos meus passeios a pé. Digam da vossa justiça. 

É comum procurarmos longe o que, por vezes, temos muito perto! 

Por AnaGui
Por AnaGui
Por AnaGui
Por AnaGui
Por AnaGui
Por AnaGui

Roadtrip 2 Day 4 / Viagem de carro 2 Dia 4 

​Chegámos cedo demais a Óbidos em relação ao próximo grande evento ( Festival de Literatura), mas chegámos em pleno Poiartes,  mostra de Artesanato, de Gastronomia e mostra Agrícola, Comercial e Industrial de Vila Nova Poiares.

Apreciamos de perto o artesanato, não ligámos à parte comercial e industrial mas detivemo-nos pela mostra agrícola. O contato direto com a agricultura biológica que estamos a desenvolver com a nossa pequena horta abriu-nos os horizontes para esse campo. 

Quanto à mostra gastronómica temos o privilégio de a degustar em casa. Pois é! O que me poderia levar a Vila Nova de Poiares a não ser as minhas raízes? 
As manhãs são tranquilas, permitem começar o dia sem velocidades. As tardes são longas,  permitem que as conversas se prolonguem. E as noites são repousantes, permitem que a cabeça descanse. Ainda que fosse a localidade menos interessante, aos meus olhos terá sempre a maior das importâncias. E como tal, sempre que a necessidade de repor energias se impõe é aqui que retorno, nem que seja um dia.  

Enfim, palavras para quê?

Roadtrip 2 Day 3 / Passeio de carro 2 Dia 3 

​Porque “o homem não vive só de pão” e descanso, aproveitámos o dia nebuloso para alimentar a mente. 

Em estilo de estágio para o FOLIO*, resolvemos deambular pelas alegres ruas de Óbidos. Vimos muitas lojas de ginjinha, sorrimos ao artesanato e folheámos histórias antigas e conhecidas e outras novas e nunca lidas. Por mim, deixava-me perder pelos personagens ficcionados de mundos inventados, arrumados em livros espalhados pelas ruas e prateleiras de livrarias e bibliotecas… 

Óbidos, seja qual for a altura do ano, é muito hospitaleira. Não procura ser o que não é. Apresenta na sua simplicidade a grandeza de uma charmosa e antiga localidade onde a história deixou o seu marco. Fez história no passado e continua a fazer hoje. De uma ginja, criou-se uma aperitivo ou degustativo muito procurado. De uma antiga igreja tornou-se uma livraria. De uma antiga aldeia deu-se vida a um atual centro cultural.

Acordamos com o sol escondido por um manto de nuvens que parecia que não iria desarredar pé! Parecia um dia de inverno instalado num mês de Verão. 

De corpo e mente descansados resolvemos ir passear. Sem nos apercebermos o sol resplandeceu e aqueceu o resto do dia! 

*Gostava de vos poder falar do FOLIO na primeira pessoa, mas não sei se será este o ano em que terei oportunidade de o fazer. 

Roadtrip 2 Day 2 / Viagem de carro 2 Dia 2

​Dizem que parar é morrer, mas depende muito do contexto! 

Não há uma única pessoa que negue a satisfação de tomar uma refeição calmamente, de apreciar uma ida à janela em gesto de pausa, de ler ou conversar sem se apressar, de saborear um café curto como se não houvesse depois… 

Estes são todos pequenos grandes prazeres que a literal pressa do dia-a-dia nos proíbe. Quais prisioneiros condenamos-nos sem dó nem piedade a falsas prioridades fingindo crer que a vida é mesmo assim! 

Dizem que parar é morrer, mas no meu caso, parar significa viver!

Neste segundo dia de roadtrip decidimos ficar onde já estávamos. 

Roadtrip 2 Day 1 / Viagem de carro 2 Dia 1 


​Após duas semanas de longas horas laborais que tornaram os dias quase intermináveis, resolvemos parar o ritmo frenético e doentio que o trabalho nos obriga e tirar tempo para nós. 

Fizemos-nos novamente à estrada, sem planeamento, sem horas, sem rumo, com o objectivo único de descansar. 

Contrariando o mundo que vive sem espera, seguimos por estradas secundárias, as que levam o dobro do tempo a chegar seja onde for. Mas que importância isso tinha já que guiávamos sem planeamento, sem horas, sem rumo, com a única pressa de ir. 

E fomos. Passámos por localidades tão desertas que à quinta-feira parece já ser domingo! Casas e mais casas, mas nem uma única alma! E assim seguimos o mar costa prata acima. A paisagem é insaciante. Quanto mais descobrimos, mais queremos ver! Quilómetros e quilómetros de praias onde reina o vento triando naturalmente os seus frequentadores. Continuo a acreditar fortemente que toda esta beleza natural, todo este brilho que nos vicia a vista sem a desgastar, teve de ser projetado e não surgido do nada. 

Sem planeamento, sem horas, sem rumo, mas com a certeza da vontade, descobrimos que todos os caminhos vão dar onde, mesmo sem saber, queremos ir. 

Pause / Pausa

​Devido ao facto de trabalhar como free-lancer, não posso programar férias. Nunca pude. Das vezes que o fiz, algumas não correram bem. Cheguei a assinalar estadias que não pude usufruir! Esta realidade levou-me a aprender a desfrutar das pausas. Foi o que aconteceu estes dias. 

Por ser uma semana relativamente calma no projeto no qual estou inserida, fui presenteada com dois dias de folga extra. Dois dias colados ao fim-de-semana resultam em mini-férias! Assim, rumei ao sul onde já se encontrava parte da família.  Deixei literalmente o trabalho em pausa e abracei o sol, os banhos de mar e o dolce farniente. 

Muitos, eu inclusive, diriam que mini-férias não são férias, que ir para sul uns dias não é o mesmo que apanhar um avião para o outro lado do mundo durante vinte ou trinta. Basicamente, muitos diriam que me estou a enganar a mim própria, a contentar-me com pouco. Em certa parte até concordo, mas só em certa parte e não na totalidade. 

Trata-se de uma pausa, não de uma paragem! Entre um ponto e o outro do nosso caminho há escalas efectivamente, mas também há pequenas brechas que podem ser preenchidas da melhor maneira que conseguirmos. E esta foi a minha! 

Packing / Fazer as malas

Não sei por vocês, mas por muito que queira simplificar, tenho sempre a sensação de levar a casa às costas quando viajo. Isto não é de agora, é desde sempre! Mesmo assim, tenho vindo a esforçar-me nesse sentido. Como?
Por reconhecer e registar que regresso sempre com duas ou três ou mais mudas de roupa que acabo por não vestir e por fazer melhor as contas na vez a seguir.
Por repetir o mesmo exercício com o calçado, os acessórios e até as leituras.
Por colocar em recipientes à medida dos dias que estarei fora o champô, acondicionador, creme corporal e outras necessidades básicas.
Estes são pequenos gestos que fazem a diferença e aliviam a carga!
Mas há uma ironia adjacente a este mau hábito de quererermos ser tartarugas em escapadelas longas ou curtas de descanso e descoberta. Se a ideia é descontrair, desfazer a rotina e aliviar o dia-a-dia porque nos sobrecarregamos de forma fútil imediatamente antes de sair de casa? Não faz sentido! Se o fazemos nesse espaço de tempo sagrado que são os dias do nosso descanso, nem quero pensar o quanto nos sobrecarregamos diariamente!

Contudo, se conseguirmos que o nosso esforço dê o fruto de nos reduzir a uma única mala na partida, uma coisa não conseguiremos: é reduzir a do regresso. Porque essa, a bagagem do regresso, será sempre, mas sempre a maior! Se assim não for, não soubemos viajar.