By the root / Pela raíz

wp-1465166266324.jpg

Já repararam  que não tenho publicado notícias da horta ?

Desenganem-se os que pensam que estou distraída… Nada é ao acaso e este meu silêncio tem uma forte razão de ser.

Há uns anos atrás o meu sogro pediu autorização para ocupar uma parcela dum terreno quase abandonado mesmo em frente a casa. O pedido foi-lhe simpaticamente cedido tendo em conta que não existiam, da parte do proprietário, intenções de tirar maior proveito deste pedaço de terra. Há menos tempo ainda, o meu marido resolveu juntar-se ao pai e tomar conta da horta. Para além do gozo que dava semear, plantar e regar, as colheitas foram sempre saborosas. Não sei como vos traduzir o luxo de decidir fazer uma salada para o almoço e simplesmente descer as escadas e apanhar alface, tomate, beterraba, pepino, pimentos, entre outros alimentos frescos. Isto é São Pedro do Estoril, não uma zona rural!

wp-image-712097865jpg.jpg

Mas este luxo foi sol de pouca dura. No verão passado, ao regressarmos de umas inesquecíveis férias, recebemos a triste notícia de que teríamos um mês para nos desfazermos das culturas. O terreno iria ser vedado e a horta deixaria de existir. Incrédulos questionámos o porquê da necessidade de isolarem o terreno. Uma vez mais, não foram apontadas intenções de maior aproveitamento desta fértil terra. A razão que nos foi transmitida é a de que os sócios discordam quanto a esta cedência e corta-se assim o mal pela raíz. E foi exactamente o que fizemos a tudo o que tínhamos plantado e não conseguimos consumir nesse espaço de tempo.

Passados seis meses, hoje, as hortas foram efectivamente destruídas ( existiam mais duas ou três), mas o terreno continua de braços abertos a todos os que quiserem passear os cães ou simplesmente estacionar os carros.
O ter procrastinado a escrita deste texto foi por precisamente ainda não ter digerido este episódio. É certo que o terreno não é nosso, mas estávamos a saber usá-lo melhor do que os seus proprietários e sem incomodar ninguém. Enfim! A proximidade da horta com a minha casa foi sempre um aspecto muito positivo, mas hoje, é o lembrete constante do quão estúpido, nós, seres humanos, conseguimos ser.

Vejam a horta agora:

20180319_162725

Anúncios

To stay or to go / Ir ou ficar

Um destes dias, enquanto espreitava as promoções das agências de viagem on line e escolhia um possível destino para um fim-de-semana longo de descanso, retive-me na dupla de verbos ir/ficar. Um não anda sem o outro. Nunca. Nem que um fique e o outro vá. Se não pensem: se vamos, não ficamos. Se ficamos, não vamos. É como a dupla emigrar/imigrar.

Mas gramática à parte e mais profundamente, foi a minha insatisfação e inquietação na escolha de um destino que me trouxeram até aqui.
Depois de vaguear pelo mapa entre capitais e destinos mais ligados à natureza, acabei por nada marcar. Não por falta de escolha ou limites orçamentais, mas por não haver destinos que me apetecessem. Como é possível se eu nem um quinto do planeta conheço?
Pela simples razão que a minha insatisfação não tem a ver com o destino, mas com o lugar onde nos encontramos, em nós. “, não para outra cidade ou país, mas para fora de mim. Apetece-me não ter horas, nem planos. Apetece-me apenas ir andando. Mas de momento tenho de aprender a fazê-lo aqui, em mim, para depois me deixar levar para onde tiver de ir.
Ao mudar de profissão quebrei rotinas, alterei horários, estipulei limites, criei desafios e ganhei muita qualidade de vida. Mas ainda me falta interiorizar para desfrutar plenamente desta nova condição, Estando eu aqui, desta vez, fico. E se é para virar o meu mundo do avesso, concluo que, apesar de ficar, desta vez estou a ir… Estou a ir ao meu encontro.

Photo from Unplash 

How to organize my time / Como organizar o meu tempo

Cansado (a) de estar sempre atrasado apesar de correr constantemente atrás do tempo? Então já temos um ponto em comum! 
Eu passo a vida a correr! Os treinos são diários, mas a meta parece cada vez mais inatingível. Cansada sobretudo de correr tanto e chegar tão pouco longe, decidi voltar a rever o meu dia-a-dia… ao pormenor! E cheguei à conclusão que o rigor é imperativo, muito mais que a pressa, caso contrário voltamos sempre ao mesmo ponto. 

Eis sete sugestões a ter em conta quando se trata de organizar o nosso dia-a-dia:

@1 Agenda / Agenda

Primeiro de tudo, se não tivermos uma agenda, é altura certa para tratar disso! No meu caso, não vivo sem uma agenda ( ou duas ou três… ). Listar o que temos para cumprir ajuda-nos a visualizar melhor e, por consequência, a ter uma ideia mais real do que nos espera. 

@2 No more silly schedule! /  Horários estapafúrdios nunca mais!

Reformular a agenda diária com base em horários regulares, pelo menos para acordar e desligar ao fim do dia, é o primeiro passo! ( Se não tiver agenda é o segundo!). A rotina, nem que seja a do sono, é um grande passo para uma cabeça saudável e, por consequência, uma vida mais tranquila.

@3 Fiction and reality / Ficção e realidade 

Manter os pés na terra é outra atitude fundamental! Uma coisa é o que gostaríamos de completar todos os dias, outra é a nossa capacidade! Não esquecer que o Superman ou a Wonderwoman só existem na ficção. 

@4 Losting time / Perder tempo

Contabilizar o tempo pode ser uma tarefa aborrecida e até cansativa, já que temos de rever o dia passo a passo, mas é fundamental. É fácil perdermo-nos nos segundos dos minutos das horas das vontades… Se estipularmos determinado tempo para cada tarefa isso ajudar-nos-á a tomar as rédeas em vez de ser o tempo a empurrar-nos dia a fora. O que não fizermos hoje, fazemos amanhã é certo, mas amanhã já tem as tarefas que lhe foram estipuladas… Atenção também à vontade: uma coisa é o que nos apeteceria fazer, outra é o que tem de ser feito!

@5 No flexibility / Falta de flexibilidade 

A flexibilidade é necessária. Entende-se por flexibilidade a capacidade de readaptar a agenda daquelas vinte e quatro horas a qualquer momento em que o estipulado a priori seja, contra as nossas possibilidades, alterado. A única alteração que tem de ser evitada é a nossa! 

@6 Pause / Pausas

Incluir na agenda horários de pausa nas várias fases do dia é cruci! Esses momentos têm obrigatoriedade de existir. Se não somos personagens de ficção, também não somos máquinas. 

@7 Be patient/ Seja paciente

Se devagar se vai ao longe, em correria não se chega a lado nenhum. Numa primeira fase é provavel andarmos às voltas com a agenda e as tarefas e que sintamos vontade de não organizar coisa alguma. Sejamos paciente! 

A organização anda de mãos dadas com a realização pessoal. Para quem não está habituado, assim à primeira vista, pode parecer uma tarefa desnecessaria, mas se tirarmos um bocadinho para organizar o nosso tempo agora e usar do rigor para cumprir o planeado, aniquilamos as correrias vãs dos próximos dias. Garanto!

Foto: unplash

5 Good reasons to work in a national Holiday / 5 Boas razões para trabalhar ao feriado 

​A maioria das pessoas fica alegre quando há um feriado que se avizinha. Aquele dia parece a salvação de todos os males!  Estas pessoas ficam com um sorriso de orelha a orelha porque têm o feriado nas agendas! Mas esta era uma reação apenas de quem tinha a possibilidade de viver o feriado fora do local de trabalho. 

Entretanto, há uma pequena porção da população que trabalha nestes dias. Eu faço parte dessa porção. E, apesar de constar na minoria que, a priori, não fica assim tão contente, encontrei cinco razões para jubilar de alegria junto com todos aqueles que, por exemplo, amanhã, vão ficar a dormir! Daí usar o verbo ser na sua versão imperfeita “era”. Ora pensem  comigo: 

#1 All together / Todos juntos

Os feriados são autênticos domingos. E aos domingos as famílias aproveitam para passar tempo juntas em restaurantes, centros comerciais, cinemas, parques, caminhadas, enfim, em todo o lado em que possam relaxar. Nos feriados é exatamente o mesmo. Onde quer que nos possamos deslocar, deslocam-se também centenas de famílias! Melhor será noutra altura com menos gente. E isso leva-nos imediamente para o ponto seguinte! 

#2 No Traffic / Sem trânsito 

Se formos dos poucos a ir trabalhar então somos isso mesmo: poucos. O trânsito não existirá ou melhor existirá de forma saudável. Parece um sonho, não é? Mas não é! É um feriado! 

#3 Shorter days / Dias curtos

Os dias parecem andar mais devagar, mas têm tendência para  acabar mais depressa. Este paradoxo deve-se ao facto de quem está a trabalhar ter pena de si próprio e aliviar os horários de saída. Isto se as responsabilidades do dia o permitirem! 

#4 Constant pace of life / Ritmo de vida constante 

O feriado a meio da semana quebra definitivamente o ritmo. É mais violento por vezes do que não ter um dia de pausa a meio da semana. A menos que sejamos pessoas organizadas e a maioria não o é. Assim, em vez de acumularmos tudo num só dia, como por exemplo descanso, lazer e pequenas tarefas que nos preenchem a agenda, por não termos feriado não contamos com esse dia e a semana decorre de forma regular, o que é muito positivo! 

#5 Holiday? / Férias?

Havemos de desfrutar deste dia numa altura mais propícia e, quem sabe, talvez possamos juntar a outros dias de folga e formar umas mini-férias! Esta é uma excelente razão! 

E que tal? Ainda vão querer feriar?!?! 

Imagem: unplash

Chaos / Caos 

​Desconfio que conduzir na faixa da esquerda advém de um síndrome de inferioridade particular… Da mesma maneira que muitos compram roupas de marca para ostentarem a carteira que não têm e exibirem a vida que gostavam de ter, outros conduzem na faixa da esquerda enquanto sonham com o carro que não podem comprar ou a velocidade que não atingem. 
Não conseguindo encontrar outra explicação, em vez de especular, tive a oportunidade de questionar diretamente um ou dois dos muitos protagonistas desta tendência que não se limita a uma única estação do ano, mas sim a todas.

– Porque conduzes tu na faixa da esquerda a velocidades de faixa direita?

–  Dá-me mais jeito!

Este foi o argumento comum. E ainda que tenham tentado fundamentar com outros argumentos que apelam ao coração só deles, a meu ver, o individualismo não cabe na quebra de uma regra que orienta todos! 

 É verdade que os protagonistas não se resumem apenas a um ou dois, são muitos mais. Também é verdade que generalizar é só fácil, mas não real. Mas uma coisa é certa:  apesar de existirem codigos, regras, orientações, cada um faz efectivamente como lhe dá jeito, não só na estrada, mas em tudo. Não admira que ninguém se entenda.

Getting home / Chegar a casa

Eu gosto muito de chocolate! Mesmo muito! Seja em tablete, em mousse, em bolos ou bolachas, eu gosto muito de chocolate. E o chocolate tem muitos benefícios. Ainda assim, não como nem todos os dias nem a toda a hora. O mesmo acontece com a escrita. 

Eu gosto muito de escrever! Mesmo muito! Seja em papel, no tablet ou no computador, eu gosto muito de escrever. E a escrita é benéfica para o cérebro, a imaginação, etc. Ainda assim, não escrevo a toda a hora. Não só porque nao tenho essa possibilidade, mas porque não aguentaria estar horas a fio a escrever. O mesmo acontece com o trabalho.
Eu gosto do que faço! Mesmo muito! Seja a  planificação, a ida para o terreno ou o fecho do projeto, eu gosto do que faço. E trabalhar é uma actividade benéfica em todos os aspectos: pessoais, sociais e económicos. Ainda assim, canso-me quando passo 10, 12, 15 horas por dia a trabalhar. O enjoo substitui o gosto e tarefas leves e fáceis tornam-se chumbos acorrentados aos tornozelos! 
Sabe bem chegar a casa a tempo de assistir ao pôr-do-sol, de jantar em família e de conversar, ler,  escrever… ou comer chocolate!

Viaje 

Championship / Campeonato

​Quando atletas competem em modalidades desportivas, os adversários têm de estar equiparados ao máximo. 

Dois lutadores de judo só se confrontam se tiverem o mesmo peso e o mesmo cinto. 

No caso de corridas de carro, um piloto de fórmula um só poderá competir com um piloto de um carro do mesmo gabarito. 

No desporto com mais adeptos do mundo as equipas estão categorizadas por divisões. Uma equipa da primeira divisão  joga com outra da mesma divisão. Os próprios jogadores ou são juvenis ou seniores. Enfim, seja idade, peso, género, potência ou categoria só se compara o que se assemelha, o que já está à partida ao mesmo nível.

Ainda que a vida não passe de uma competição connosco próprios, há pessoas que insistem em comparar-se a outros. Até aqui tudo bem. Cada um sabe de si e é livre de escolher os seus focos. Há também pessoas que tentam desafiar-nos. Por mim, tudo bem. Mais uma vez, cada um é livre de fazer conforme achar melhor. 

Agora, para que quem quer que seja se compare seja a quem for, para que a comparação seja plausível, ambos têm de estar equiparados, têm de ter o mesmo ponto de partida, têm de pertencer ao mesmo campeonato!

Este pequeno grande requisito raramente é tido em conta. Então, temos fracos a fazerem braço de ferro com fortes. Inteligentes a medirem forças com estúpidos. Enfim, uma panóplia de comparações incomparáveis. 

No meu caso, nao me comparo a ninguém, embora admire algumas pessoas, mas sei que ele há gente que se compara a mim. Mas esquecem-se… Esquecem-se da minha altura, do meu peso, do meu género, mas sobretudo, esquecem-se da minha categoria! Este esquecimento vale-me a mim a vitória, logo à partida. Saio vitoriosa porque não perco tempo com o que não me faz ser melhor do que já sou!

Expectations / Expectativas

​As expectativas são esperanças difíceis de controlar. Estejam elas acima ou abaixo da realidade.
Expectativas abaixo da realidade fazem-nos correr o risco de nos deixarmos ofuscar de felicidade com o que estamos a viver e não conseguir aproveitar intensamente. Tudo porque não esperávamos tanto. 

Expectativas acima da realidade fazem-nos sofrer uma descida abrupta e contrária ao que queríamos que fosse, no exato momento em que nos deparamos com o pouco. Obrigam-nos, assim, a uma aterragem violenta no asfalto doloroso da realidade.
Outra curiosidade é o facto das expectativas terem disfarce. Por parecerem ausentes, acreditamos sempre estar no equilíbrio certo. Por outras palavras, afirmamos veemente não ter qualquer expectativa. Mas o que acontece? Acabamos por dar por elas! 
Para mim, como em tudo é necessário preparação, planificação, organização, sou algumas vezes vencida. Isto porque por muito que achemos que temos tudo sob controlo, o inesperado consegue sempre ganhar-nos, de uma maneira ou de outra.

E isto dá-me que pensar… e muito! A vocês não?

Yesterday and today / Ontem e hoje

Após umas bem vindas férias não programadas durante este mês de Outubro, chego ao fim das mesmas conforme se quer: renovada. A roda grande da vida profissional move-se a um ritmo tão célere que a visão da restante paisagem desfoca. A noção da realidade evade-se na visão turva enquanto a roda não pára. É curioso termos essa noção, mas não conseguirmos travar a roda.

Este é o excerto de um post* de Outubro do ano passado que nunca cheguei a publicar. E hoje, enquanto andava aqui a deambular por escritas antigas, deparei-me com estas palavras. Palavras que, curiosamente, já não me fazem o mesmo sentido.

A noção do todo é-me cada vez mais presente! Passo a explicar… Atribuir a devida importância e criar as respectivas prioridades aos afazeres e acontecimentos da vida tornou-se essencial para mim. Tentei, durante alguns anos, aumentar as horas do dia e aumentar os dias da semana. Foi em vão. Todas as tentativas resultaram em cansaço, frustração e extrema ansiedade. Por muito que me esforçasse, não consegui que nenhum dia tivesse 48h! Portanto só me restou reconsiderar a distribuição do tempo pelas tarefas diárias e ajustar o ritmo.
E é o que me tenho dedicado a fazer desde Novembro… Tem sido um exercício diário cuja regularidade tem diluído a dificuldade. Ainda tenho dias disparatados de tantas tarefas, mas já tenho muitos mais com pés e cabeça! Não se tem nada sem nada. E com este esforço tenho aprendido a tirar maior proveito dos meus dias, semanas e meses.

Em vez do excerto transcrito no início deste texto, o post de hoje poderia ter começado assim:

Após algum investimento no esforço em programar os dias e as semanas, chego ao fim destes últimos oito meses conforme se quer: menos cansada, menos frustrada mais realizada. A roda grande da vida profissional move-se ao ritmo devido, sem desfocar a paisagem! A noção da realidade mantém-se clara enquanto a roda não pára. É essencial termos essa noção, para conseguirmos, não travar a roda, mas afrouxar o nosso ritmo para que o que importa tenha efectivamente importância.

*post de outro blog que tive, já que este blog iniciou há pouco mais de 3 meses

Competition / Competição 

Sou competitiva desde criança! Não é defeito,  é feitio. 

Quando saí do infantário já sabia ler. O que me deixou numa posição de vantagem comparativamente aos meus colegas que ainda nem as letras reconheciam. Este adiantamento valeu muitas secas. O meu ritmo era diferente. Acabava sempre por esperar pelos outros para ver o fim do exercício, ainda que lá chegasse muito tempo antes. E lá ficava eu entediada a observá-los concentrados no seu labor. 

Na leitura era idêntico. Enquanto eu lia fluentemente, os meus colegas somavam letras para chegarem a sílabas. Às sílabas acrescentavam sílabas até formarem palavras. Palavra atrás de palavra descobriam as frases. E esta aprendizagem vagarosa repetia-se dia-após-dia. 
Parte da minha escolaridade desenrolou-se num ensino que alimentava esta minha tendência natural. Os testes eram entregues por ordem crescente ou decrescente das notas. Estudava com o alvo de estar sempre nos três primeiros nomes ou nos três últimos, respectivamente. Consoante a média das notas de todas as disciplinas, era atribuído a cada aluno um louvor. Podíamos receber felicitações, por termos uma média constante e acima dos 15 valores numa escala de 0 a 20, encorajamentos, caso o nosso esforço fosse notado e a média estivesse acima de 10 e abaixo dos 15. Haviam outros louvores, mas não me recordo deles. Curiosamente só fixei os melhores! 

Na faculdade descobri o individualismo. Não era eu e os outros, era só eu. 

– Vocês são todos adultos estão aqui porque querem. Quem quiser assistir às aulas, assiste. Quem não quiser, não assiste. 

De repente, ía ter concorrentes que nem iria conhecer… E que na verdade não se importavam se estavam acima ou abaixo da média.Esta falta de concorrência direta, inicialmente, desmotivou-me bastante. Afinal, durante todo o ensino até então, tinha sido encorajada a olhar para o melhor elemento da turma a fim de criar um ponto de partida. De repente, não tinha referência, a não ser a mim mesma. 

Custou-me algum tempo mudar esta forma de estar. Dias, meses, anos entre a motivação e a desmotivação. A segunda ganhou algumas vezes a primeira. Cheguei a provar o amargo das notas bem abaixo das que estava habituada. Percebi que o excesso de confiança é inimigo do rigor. Entendi melhor que sem  um esforço constante, regular, diário, atingiria pouco ou nada. Tive a certeza de que sem alvos, a longo ou a curto prazo, rumamos em direção aos nossos apetites. Enfim, a frustração deu-me pano para mangas. A frustração e a baixa auto-estima. 

Hoje, passados já alguns anos, já não estudo em escolas ou universidades, mas continuo a procurar aprender, saber sobre o que me interessa e sobre o que poderá ter interesse. E continuo diariamente a constatar o que descobri na altura. Para sermos excelentes, para sermos os melhores, não precisamos de nos comparar a ninguém, a não ser ao melhor de nós próprios. 

Não acabei o curso por variadas questões. Mas no terceiro ano, o meu último, atingi notas que só no secundário tinha tido o orgulho de receber. Não sei se fui a melhor comparativamente aos outros. Quando fui ver as notas, só vi mesmo as minhas! E qual não foi a alegria de ver que o melhor de mim era muito satisfatório!

Entrei na faculdade com inseguranças, muitas, e saí sem canudo, mas com a confiança de levar a bagagem pessoal necessária para abraçar o que viesse. 

Confesso que não deixei de competir… continuo a fazê-lo comigo mesma!

Sou competitiva desde criança! Não é defeito,  é feitio.