Taste / Paladar 

Esta manhã, ao chegar ao trabalho, deparei-me com um grupo de colegas a relembrar, num apurado tom nostálgico, os doces que comiam quando eram crianças. Entre sabores e marcas, o reavivar da memória aconteceu, sobretudo a memória do paladar. 
Olhando para trás, para três dezenas de anos atrás pelos menos ( ainda não tenho problemas de vista ao longe), vi a saborosa inconsciência da infância. Se fosse doce era delicioso! 

Agora, em idade adulta, o sabor da inconsciência pode tornar-se muito amargo. Aprendemos que nem tudo o que é doce é favorável. Percebemos também que neste breve regresso ao passado, a conversa, aparentemente banal, significa que sentimos profundamente a falta de comer livremente, de saborear sem a frequente pitada de preocupação que se tornou o acompanhamento obrigatório das mais variadas refeições que fazemos ao longo do dia. Recordamos para viver, mas também para perceber o ponto onde chegámos.

E chegámos aqui: a um mundo gastronómico diferente. Muito diferente. Neste canto do mundo onde me encontro, a variedade de alimentos é extensa, mas a qualidade é reduzida. Somos constantemente abordados por demasiadas opiniões sobre a alimentação correta. Vitamina a menos faz mal, vitamina em excesso não faz bem. Se comemos biológico temos de ter cuidado com os pesticidas. Se comemos plástico, parecemos um ecoponto! Uns adoecem por não comer, outros por ingerir alimentos desnutridos. 

Olhando para trás, para três dezenas de anos atrás pelos menos, lamento a saborosa inconsciência da infância.

Photo: unplash

Go / Vai

Há quem sonhe a dormir. Há quem sonhe acordado. Eu não sou excepção, sonho das duas maneiras. Mas confesso que sonho muito  mais acordada, o que para mim é uma vantagem porque me lembro de tudo e até tiro notas! 

A propósito de sonhar acordada, descobri o blog da Jo. Primeiro viajei com ela, agora consulto-o para futuras viagens que, de momento, ainda não passaram de sonho. Como sempre, o que considero bom para mim,  partilho. Portanto Aqui fica o link: http://jolandblog.com/cronicas-de-viagem/

June / Junho

Finalmente chegámos ao mês de Junho. É o meu mês preferido por várias razões. Uma delas, a mais leve, é porque o tempo já permite que as roupas pesadas nas cores e na textura sejam substituídas pelos tecidos coloridos e fluidos que o fim da primavera exibe.

Outra razão, a mais significativa, é o facto do mês de Junho marcar o fim do primeiro semestre do ano, semestre esse em que, geralmente, nos propomos mudanças e até inovações. Iniciamos o ano com novos desafios, novos alvos, novas expectativas que, muitas vezes, falecem ao longo do caminho. Só com muito esforço, foco e alguma teimosia os projetos chegam a meio do ano ou ao fim.

E este meu mês de Junho tem esse sabor: o de leveza e de conquista.

Em Dezembro aceitei o desafio de aprender a ensinar. Iniciei em Janeiro e agora, chegada a meio do ano, sinto-me muito satisfeita. Não vou mencionar o cansaço a que acrescentar um desafio à tua já pesada rotina te leva, vou antes frisar a alegria de atingir objectivos. Dia-a-dia, semana a semana, mês a mês a tua visão ganha novos horizontes. E quando ergues os olhos e te situas, é surpreendente o quanto já te afastaste do ponto de partida.

Há momentos assustadores em que pensas que afinal não és capaz. Há outros instantes, muito curtos, em que quase lamentas a pasmaceira da rotina anterior “porque não fiquei quieta no meu espaço de conforto?” Mas na realidade, é esta a adrenalina que procuramos: superar medos e ir além de nós.

E este meu mês de Junho tem esse sabor: o de leveza e de conquista.

O mês de Junho ainda só é o meio do ano. Quem ainda não começou, este é o momento de traçar um plano ( muito importante) e de agarrar o próximo semestre. Quem sabe se Dezembro não será o vosso mês de leveza e conquista?

O que importa é que nos mantenhamos vivos vivos!