My husband has a vegetable patch 2 / O meu marido tem uma horta 2

Ainda que a horta seja um trabalho diário, não a comento todos os dias. Umas vezes é porque o tempo não me permite, outras vezes porque o tempo me permite dar-lhe a devida atenção. Hoje, consegui viver a horta e deixar aqui o registo. Que privilégio! 

A manhã começou com pescaria, já que o feijão verde se transforma em peixinhos da horta bem gulosos! 

Enquanto apanhávamos o feijão verde, os tomates maduros sobressaíam por entre as ramas. Quem diz os tomates, diz os pepinos, as cebolas, o alho francês e os pimentos! 

Este é um trabalho árduo que vale o esforço. Que perdurem as deliciosas saladas que temos degustado! 

Quem planta e quem rega são um só, mas cada um receberá a sua própria recompensa, segundo o seu próprio trabalho.

Championship / Campeonato

​Quando atletas competem em modalidades desportivas, os adversários têm de estar equiparados ao máximo. 

Dois lutadores de judo só se confrontam se tiverem o mesmo peso e o mesmo cinto. 

No caso de corridas de carro, um piloto de fórmula um só poderá competir com um piloto de um carro do mesmo gabarito. 

No desporto com mais adeptos do mundo as equipas estão categorizadas por divisões. Uma equipa da primeira divisão  joga com outra da mesma divisão. Os próprios jogadores ou são juvenis ou seniores. Enfim, seja idade, peso, género, potência ou categoria só se compara o que se assemelha, o que já está à partida ao mesmo nível.

Ainda que a vida não passe de uma competição connosco próprios, há pessoas que insistem em comparar-se a outros. Até aqui tudo bem. Cada um sabe de si e é livre de escolher os seus focos. Há também pessoas que tentam desafiar-nos. Por mim, tudo bem. Mais uma vez, cada um é livre de fazer conforme achar melhor. 

Agora, para que quem quer que seja se compare seja a quem for, para que a comparação seja plausível, ambos têm de estar equiparados, têm de ter o mesmo ponto de partida, têm de pertencer ao mesmo campeonato!

Este pequeno grande requisito raramente é tido em conta. Então, temos fracos a fazerem braço de ferro com fortes. Inteligentes a medirem forças com estúpidos. Enfim, uma panóplia de comparações incomparáveis. 

No meu caso, nao me comparo a ninguém, embora admire algumas pessoas, mas sei que ele há gente que se compara a mim. Mas esquecem-se… Esquecem-se da minha altura, do meu peso, do meu género, mas sobretudo, esquecem-se da minha categoria! Este esquecimento vale-me a mim a vitória, logo à partida. Saio vitoriosa porque não perco tempo com o que não me faz ser melhor do que já sou!

Expectations / Expectativas

​As expectativas são esperanças difíceis de controlar. Estejam elas acima ou abaixo da realidade.
Expectativas abaixo da realidade fazem-nos correr o risco de nos deixarmos ofuscar de felicidade com o que estamos a viver e não conseguir aproveitar intensamente. Tudo porque não esperávamos tanto. 

Expectativas acima da realidade fazem-nos sofrer uma descida abrupta e contrária ao que queríamos que fosse, no exato momento em que nos deparamos com o pouco. Obrigam-nos, assim, a uma aterragem violenta no asfalto doloroso da realidade.
Outra curiosidade é o facto das expectativas terem disfarce. Por parecerem ausentes, acreditamos sempre estar no equilíbrio certo. Por outras palavras, afirmamos veemente não ter qualquer expectativa. Mas o que acontece? Acabamos por dar por elas! 
Para mim, como em tudo é necessário preparação, planificação, organização, sou algumas vezes vencida. Isto porque por muito que achemos que temos tudo sob controlo, o inesperado consegue sempre ganhar-nos, de uma maneira ou de outra.

E isto dá-me que pensar… e muito! A vocês não?

Reasoning / Faculdade de raciocínio 

​Há ideias que têm tanto impacto para nós que nos ficam na memória e vêm ao de cima quando menos esperamos. Ontem, foi o que me aconteceu, pelo menos duas vezes! 

Há uns anos atrás, após um desabafo de uma conversa surreal mantida com uma pessoa doutro planeta pela falta de lógica de que fazia prova, um amigo meu perguntou-me se eu raciocinava com um cão. Por entre um discurso acelerado e um gesticular frenético consequentes do voltar a viver a indignação do sucedido, a pergunta soou-me descabida. O meu amigo percebeu-me e voltou a repetir: 

– Raciocinas com um cão? 

– Não… – E só pensava que seria demasiada ironia desabafar sobre uma reacção caricata  e viver outra idêntica enquanto relatava! 

– Das duas uma: ou dás orientações diretas a um cão do tipo “deita”, “senta”, “quieto”, etc, para ele obedecer ou acompanhas as festas com um adjectivo para o felicitar por ter sido um bom cão. E pouco mais. Não raciocinas com o cão como raciocinas com uma pessoa. Aliás, até podes raciocinar, mas é em vão porque o animal não vai conseguir entender. 

Atenta, mas perdida perguntei-lhe em que é que a falta de raciocínio do cão tinha alguma coisa a ver com o tema da conversa que estavamos a ter. 

– Pois bem, há pessoas iguais aos cães (ou piores do que os cães já que são providas de um raciocínio superior ao dos animais, mas não o exercitam). Se com o cão perdes tempo em dar determinadas explicações porque o animal não é suposto entender, com algumas pessoas também! 

Aquando de falhas na comunicação, usem sempre de perspicácia a fim de qualificar o vosso interlocutor no reino que lhe é devido. A seguir, adaptam o discurso. Este pequeno exercício vai poupar-vos muitas energias como por exemplo paciência e tempo!

Yesterday and today / Ontem e hoje

Após umas bem vindas férias não programadas durante este mês de Outubro, chego ao fim das mesmas conforme se quer: renovada. A roda grande da vida profissional move-se a um ritmo tão célere que a visão da restante paisagem desfoca. A noção da realidade evade-se na visão turva enquanto a roda não pára. É curioso termos essa noção, mas não conseguirmos travar a roda.

Este é o excerto de um post* de Outubro do ano passado que nunca cheguei a publicar. E hoje, enquanto andava aqui a deambular por escritas antigas, deparei-me com estas palavras. Palavras que, curiosamente, já não me fazem o mesmo sentido.

A noção do todo é-me cada vez mais presente! Passo a explicar… Atribuir a devida importância e criar as respectivas prioridades aos afazeres e acontecimentos da vida tornou-se essencial para mim. Tentei, durante alguns anos, aumentar as horas do dia e aumentar os dias da semana. Foi em vão. Todas as tentativas resultaram em cansaço, frustração e extrema ansiedade. Por muito que me esforçasse, não consegui que nenhum dia tivesse 48h! Portanto só me restou reconsiderar a distribuição do tempo pelas tarefas diárias e ajustar o ritmo.
E é o que me tenho dedicado a fazer desde Novembro… Tem sido um exercício diário cuja regularidade tem diluído a dificuldade. Ainda tenho dias disparatados de tantas tarefas, mas já tenho muitos mais com pés e cabeça! Não se tem nada sem nada. E com este esforço tenho aprendido a tirar maior proveito dos meus dias, semanas e meses.

Em vez do excerto transcrito no início deste texto, o post de hoje poderia ter começado assim:

Após algum investimento no esforço em programar os dias e as semanas, chego ao fim destes últimos oito meses conforme se quer: menos cansada, menos frustrada mais realizada. A roda grande da vida profissional move-se ao ritmo devido, sem desfocar a paisagem! A noção da realidade mantém-se clara enquanto a roda não pára. É essencial termos essa noção, para conseguirmos, não travar a roda, mas afrouxar o nosso ritmo para que o que importa tenha efectivamente importância.

*post de outro blog que tive, já que este blog iniciou há pouco mais de 3 meses

Competition / Competição 

Sou competitiva desde criança! Não é defeito,  é feitio. 

Quando saí do infantário já sabia ler. O que me deixou numa posição de vantagem comparativamente aos meus colegas que ainda nem as letras reconheciam. Este adiantamento valeu muitas secas. O meu ritmo era diferente. Acabava sempre por esperar pelos outros para ver o fim do exercício, ainda que lá chegasse muito tempo antes. E lá ficava eu entediada a observá-los concentrados no seu labor. 

Na leitura era idêntico. Enquanto eu lia fluentemente, os meus colegas somavam letras para chegarem a sílabas. Às sílabas acrescentavam sílabas até formarem palavras. Palavra atrás de palavra descobriam as frases. E esta aprendizagem vagarosa repetia-se dia-após-dia. 
Parte da minha escolaridade desenrolou-se num ensino que alimentava esta minha tendência natural. Os testes eram entregues por ordem crescente ou decrescente das notas. Estudava com o alvo de estar sempre nos três primeiros nomes ou nos três últimos, respectivamente. Consoante a média das notas de todas as disciplinas, era atribuído a cada aluno um louvor. Podíamos receber felicitações, por termos uma média constante e acima dos 15 valores numa escala de 0 a 20, encorajamentos, caso o nosso esforço fosse notado e a média estivesse acima de 10 e abaixo dos 15. Haviam outros louvores, mas não me recordo deles. Curiosamente só fixei os melhores! 

Na faculdade descobri o individualismo. Não era eu e os outros, era só eu. 

– Vocês são todos adultos estão aqui porque querem. Quem quiser assistir às aulas, assiste. Quem não quiser, não assiste. 

De repente, ía ter concorrentes que nem iria conhecer… E que na verdade não se importavam se estavam acima ou abaixo da média.Esta falta de concorrência direta, inicialmente, desmotivou-me bastante. Afinal, durante todo o ensino até então, tinha sido encorajada a olhar para o melhor elemento da turma a fim de criar um ponto de partida. De repente, não tinha referência, a não ser a mim mesma. 

Custou-me algum tempo mudar esta forma de estar. Dias, meses, anos entre a motivação e a desmotivação. A segunda ganhou algumas vezes a primeira. Cheguei a provar o amargo das notas bem abaixo das que estava habituada. Percebi que o excesso de confiança é inimigo do rigor. Entendi melhor que sem  um esforço constante, regular, diário, atingiria pouco ou nada. Tive a certeza de que sem alvos, a longo ou a curto prazo, rumamos em direção aos nossos apetites. Enfim, a frustração deu-me pano para mangas. A frustração e a baixa auto-estima. 

Hoje, passados já alguns anos, já não estudo em escolas ou universidades, mas continuo a procurar aprender, saber sobre o que me interessa e sobre o que poderá ter interesse. E continuo diariamente a constatar o que descobri na altura. Para sermos excelentes, para sermos os melhores, não precisamos de nos comparar a ninguém, a não ser ao melhor de nós próprios. 

Não acabei o curso por variadas questões. Mas no terceiro ano, o meu último, atingi notas que só no secundário tinha tido o orgulho de receber. Não sei se fui a melhor comparativamente aos outros. Quando fui ver as notas, só vi mesmo as minhas! E qual não foi a alegria de ver que o melhor de mim era muito satisfatório!

Entrei na faculdade com inseguranças, muitas, e saí sem canudo, mas com a confiança de levar a bagagem pessoal necessária para abraçar o que viesse. 

Confesso que não deixei de competir… continuo a fazê-lo comigo mesma!

Sou competitiva desde criança! Não é defeito,  é feitio.