Choice / Escolha

Ontem na praia, três amigas falavam sobre os projectos de uma delas.

– Eu quero tirar uma pós-graduação. Para isso vou precisar de pedir uma licença sem vencimento. – Anunciou a pro-activa.
– Então e o consultório? – Perguntou uma das espectadoras enquanto a outra ouvia aparentemente insípida.
– A minha ideia é ir ao consultório às quartas e quintas, já que a pós-graduação é às sextas e sábados.
– A licença de vencimento é de um ano. E se precisares de mais tempo? – Continuou a mesma espectadora enquanto a outra ouvia aparentemente adormecida.
– A minha mãe também já me colocou essa questão. E eu respondi que, se quero avançar nos meus sonhos, vai existir uma altura em que vou ter de dar mais lugar ao incerto do que ao certo.

Não lhes vi os rostos, apenas as sombras projectadas na areia. Ouvi-lhes as vozes. Às das três. Não percebi em que condições trabalhava a pro-activa, nem em que especialidade atuava o respectivo consultório, mas percebi que o trabalho lhe proporcionava o conforto financeiro que o consultório ainda ía demorar a retribuir. Ouvi o essencial. Retive o principal.

Todos os sonhadores, todos os que ousam fazer algo que gostam ou mudar o rumo ao que lhes traz pouco ou nada, um dia vão ter de pisar o incerto. Como? Com a certeza de que estão a ir ao encontro deles próprios e, por consequência, a viver a vida.
Há os que ouvem e vêem e vivem aparentemente impávidos e adormecidos. Há os que ouvem, vêem questionam, mas não entendem. Ainda há os que criticam gratuitamente porque não têm coragem para mais. E, por fim, há os que sonham e agem nesse sentido. Cabe a cada um de nós de escolher dos que queremos ser!

Quem nos inspira é quem se fez à estrada, independentemente do fim do caminho.

(Este texto é para todos aqueles que têm aspirações, mas que se travam a eles próprios por razões menores à grandiosidade de sonhar. É uma questão de escolha. Este texto também é para mim.)

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Up side down / De pernas para o ar

Em nome da riqueza, há muitos que roubam.

Em nome da mentira, há muitos que não conhecem a verdade.

Em nome da partilha, há muitos que praticam o individualismo.

Em nome da dor, há muitos que riem.

Em nome do hoje, há muitos que destroem o amanhã.

Em nome da defesa, há muitos que atacam.

Em nome do amor, há muitos que magoam.

Em nome da vida, há muitos que matam.

Lamentavelmente, as ironias são intermináveis porque o mundo está de pernas para o ar!

I am gifted / Encontrei a minha vocação

Ando às voltas com a descoberta da minha vocação. Não ando à procura dela. Na verdade, ando às voltas porque já a encontrei mas não sei o que fazer.

Quantas pessoas gostariam de ter encontrado a sua vocação? Quantas ainda a procuram? E eu? Eu já a encontrei! Ainda assim continuo às voltas!

A questão é que a minha realidade não combina com a minha vocação. Viajar, passear, descobrir, descansar, enfim, estar de férias é a minha vocação! A cada ano que passa estou cada vez mais convicta de que nasci para estas tarefas. Não é um papel para todos! Mas deveria ser para mim! Afinal eu nasci para isto!

Encontrei a minha vocação, mas não tenho vida para ela! A minha realidade é trabalhar. E a minha realidade é superior à minha vocação. Não contente, ando às voltas com a descoberta da minha vocação.

Back to work / Regresso ao trabalho

Quando vou de férias, demoro sempre um par de dias a desligar dos horários e dos afazeres profissionais. É uma descompressão progressiva.
No primeiro dia, durmo mais uma hora do que o habitual, penso no trabalho outra hora.
No dia seguinte já sou capaz de dormir mais duas horas do que o horário habitual e já só penso meia hora no trabalho.
No terceiro dia, acordo o quanto antes para aproveitar o máximo e já não penso senão nesta condição que me cai que nem uma luva: férias!
É como entrar no mar para o primeiro mergulho mal chegamos à praia. Vamos entrando aos poucos ambientando o corpo à temperatura do oceano. Molha daqui, molha dali. Quando finalmente mergulhamos, já não pensamos em sair da água. Esquecemos o quão fria está para nos entregarmos ao sabor da maré!

Quando regresso ao trabalho o processo é ao contrário: durmo menos e sofro a pressão progressivamente.
No primeiro dia, durmo menos três horas do que aquelas que o corpo pede e relembro as férias sete vezes durante o dia.
No segundo, durmo menos duas horas do que as que o corpo pede e relembro as férias três vezes.
No terceiro dia, levanto-me quinze minutos mais tarde que a hora estipulada porque adormeci e esqueço as férias passadas porque só tenho olhos para as futuras!

Hoje foi o meu primeiro dia de trabalho depois de duas semanas que souberam a pouco face ao proveito ter sido tanto!
Hoje foi o primeiro dia, amanhã será o segundo… a água não está fria, está gelada!

Beach day / Dia de praia

Cheguei há pouco de um dia maravilhoso de praia! Água de mar e temperatura do ar a uma harmonia sonhada! Esta foi a realidade do meu dia. A minha e a de muitas, muitas pessoas já que as praias estavam repletas de gente.
Gente abrigada debaixo de chapéus de sol de padrões às riscas, às bolinhas ou lisos, há para todos os gostos.
Gente a refrescar-se à beira mar ou mesmo dentro de água vestida de modas de praia atuais e passadas. Bikinis, trikinis, fatos de banho, calções, há para todos os gostos e corpos.
O divertimento também não falta. Cartas, bolas, raquetes, pranchas, baldes, pás ou regadores, há para todos os gostos e idades.
Quanto ao estendal, as toalhas continuam a ser as mais usadas. Contudo, já se contam bastantes pareos de cores veranis estendendidos sob os corpos ansiosos por vitamina D.

Depois existem dois tipos de pessoas: as do tipo que improvisam e as do tipo que se preparam à séria!
As que improvisam são todas aquelas que levam uma toalha ou pareo para a praia. Umas vezes ao ombro, outras vezes numa mochila, cesto ou saco ( não de plástico, convenhamos!). Não levam mais nada. Se tiverem sede, por exemplo, logo se vê.
As que se preparam à séria são todas aquelas pessoas que, independentemente do tempo que contam estar na praia, levam tudo o que vão necessitar. Para além da toalha ou pareo numa mochila, cesto ou saco, carregam também um chapéu de sol,  e, claro está, a bela da geleira recheada de água fresca, fruta, sandes e sumos.  

Ora ver alguém chegar à praia com todo este apetrecho provoca riso e gozo a muitos! Porquê? Por talvez parecerem burros de carga… Não sei, mas já me questionei variadas vezes.

A verdade é que quem ri por último é quem ri mais e melhor! E se os últimos serão os primeiros, estes últimos burros de carga serão os primeiros a aproveitar o dia de praia no seu pleno. Livres da escravidão das horas de refeições, por terem tudo à mão, não se precisam de preocupar  nem de gastar balurdios nos restaurantes e bar à disposição dos banhistas!

Cheguei há pouco fresca, airosa e hidratada de um dia maravilhoso de praia! Água de mar e temperatura do ar a uma harmonia sonhada e geleira recheada! Esta foi a realidade do meu dia.
Eu sou daquelas que levo chapéu de sol e geleira, conforme comprova a foto que tirei sentada na minha cadeira!

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Football / Futebol

O prédio é baixinho. Tem 3 andares. Em cada andar, duas habitações. Contas feitas, é um prédio de seis apartamentos. Mas não estão todos habitados. Os r/ch esquerdo e direito são casas de férias. Estão grande parte do ano vazias.

Quanto aos outros andares, vejamos de cima para baixo: no segundo direito vive uma mãe cujos filhos já casaram e já seguiram para as suas próprias casas. Esta senhora deve sentir-se tão só que dá conversa e comida aos pombos! É um problema ir à janela quando ela decide alimentá-los…

No segundo esquerdo vive um simpático e educado casal de reformados que está longe de ter uma vida pacata. Entre os 3 filhos casados, noras e genro, netos e netas, o entra-e-sai mora aqui, nesta casa precisamente!

Descemos mais dois lances de escada e chegamos ao primeiro andar. No direito, vivem um pai idoso e o filho solteiro. São duas pessoas calmas e discretas. O idoso passa a maioria do seu tempo em casa e a passear o seu velho amigo de quatro patas no jardim em frente ao prédio, enquanto espera ansiosamente o regresso do seu filho do trabalho das 8h às 17h nos correios.
Por fim, no primeiro esquerdo vive um casal de quarentões com os seus dois filhos: um rapaz de 17 anos e uma menina de 5.

Apesar deste ser um prédio movimentado pelos seus próprios condóminos, bastava a família do primeiro andar esquerdo para lhe dar vida! Pois não há um dia em que não se ouçam! A menina de 5 canta assim que acorda, mais ou menos às 7 horas da manhã! O rapaz de 17 anos toca guitarra eléctrica sempre que lhe apetece. Ora equacionando o tempo livre de um adolescente e a intensidade de entrega a uma paixão, escusado será descrever a música de fundo constante. O que vale é que deve durar pouco! Como se não bastasse, apesar da jovem idade do guitarrista e de uma perfeita audição inerente, este músico só consegue ensaiar em altos decibéis! Quanto ao casal, pois bem, relembram-me com uma frequência cansativa o velho ditado: “casa ralhada não é governada!”

E as vidas destas quatro casas prosseguem semana atrás de semana traçando por consequência a vida do próprio prédio. Mas há uma altura particular em que estas rotinas são interrompidas! É a altura dos jogos de futebol!
O sai-e-entra congela!
O pai espera o filho em frente ao televisor desprezando os horários habituais de ida à rua do cão.
Todas as músicas, sejam elas cantadas, tocadas ou ralhadas silenciam-se. É na paz de passes de bola, faltas, enfim, de todo o tipo de comentário futebolístico que a harmonia e o sossego invadem o pequeno edifício.
Ora, não sendo uma particular apreciadora deste desporto, passei a considerá-lo sagrado e estou quase a desejar campeonatos diariamente!

Packing / Fazer as malas

Não sei por vocês, mas por muito que queira simplificar, tenho sempre a sensação de levar a casa às costas quando viajo. Isto não é de agora, é desde sempre! Mesmo assim, tenho vindo a esforçar-me nesse sentido. Como?
Por reconhecer e registar que regresso sempre com duas ou três ou mais mudas de roupa que acabo por não vestir e por fazer melhor as contas na vez a seguir.
Por repetir o mesmo exercício com o calçado, os acessórios e até as leituras.
Por colocar em recipientes à medida dos dias que estarei fora o champô, acondicionador, creme corporal e outras necessidades básicas.
Estes são pequenos gestos que fazem a diferença e aliviam a carga!
Mas há uma ironia adjacente a este mau hábito de quererermos ser tartarugas em escapadelas longas ou curtas de descanso e descoberta. Se a ideia é descontrair, desfazer a rotina e aliviar o dia-a-dia porque nos sobrecarregamos de forma fútil imediatamente antes de sair de casa? Não faz sentido! Se o fazemos nesse espaço de tempo sagrado que são os dias do nosso descanso, nem quero pensar o quanto nos sobrecarregamos diariamente!

Contudo, se conseguirmos que o nosso esforço dê o fruto de nos reduzir a uma única mala na partida, uma coisa não conseguiremos: é reduzir a do regresso. Porque essa, a bagagem do regresso, será sempre, mas sempre a maior! Se assim não for, não soubemos viajar.

Roadtrip Day 4 Part 2

Saímos da Serra do Buçaco em direção a Coimbra e seguimos o rio Mondego, excelente para descidas de kayak!

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Ao chegar a Penacova decidimos apreciar a vista desde o miradouro. Subimos até ao alto da pequena vila e deambulámos pelas ruas estreitas. As casas, já muitas delas antigas, parecem apressar o aconchego umas nas outras. A crer que seriam em maior número se este pedaço de terra elevado tivesse tido espaço.
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O miradouro não representou o que esperávamos… superou em muito! Pequena no tamanho, mas enorme na vista e inspiração, dava para escrever um livro!

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Roadtrip Day 4

Uma Primavera de dias de sol e calor imediatamente salpicados de dias bem molhados é a paisagem meteorológica de um aquecimento global…

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O dia acordou cinzento e chuvoso na barragem da Aguieira. Não é o ideal para a canoagem, mas é para passear e caminhar.
Outra coisa positiva em partir à aventura é que os planos nunca vão pela chuva abaixo já que não existem!

Em vez da água, decidimos o ar e subimos à Serra do Buçaco. Ficámos grandemente surpreendidos com o que descobrimos! Conforme escreveu Saramago:
“A mata do Bussaco não se descreve, o melhor é perder-nos nela.”

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Repetiremos este passeio com o ritmo e preparação necessária para nos podermos perder.