To change (conclusion) / Mudar (conclusão)

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Ao longo destas semanas publiquei testemunhos de pessoas de diversas idades e áreas de trabalho que decidiram mudar de vida e pudemos entender o porquê.
Apesar das diferenças entre os protagonistas dos testemunhos, todos partilham um ponto comum: a busca do ouro moderno, o tempo. Todas estas pessoas quiseram tempo para aprender, tempo para estar com a família, tempo para viver.

O foco destas mudanças não é o peso do que deixaram, mas sim a leveza do que procuraram e alcançaram. Ninguém  acorda de um dia para o outro e resolve mudar. A insatisfação vai-se anunciando a pouco e pouco até ao ponto de se tornar um objectivo claro e emergente. E assim, as novas alternativas de emprego e de estilo de vida constituem o verdadeiro sonho ou, nestes casos, realidades sonhadas e alcançadas.
De que nos adianta tanta correria? Talvez ainda não tenham tido oportunidade para pensar… A roda viva é, tantas vezes, uma roda morta pelas migalhas que nos traz! Porque dinheiro (e eventualmente estatuto) são bem mais inferiores a sermos felizes.

A todos os que estão bem, parabéns!
A todos os que ainda não se encontraram, não desistam! Não desistam!

Witness 8 / Testemunho 8 AnaGui

AnaGui

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Num tom subtil de nota final de jornada resolvi, eu também, partilhar a minha mudança.

O que fazias?
Era produtora técnica essencialmente em programas televisivos de entretenimento. 
Ao contrário de muitas pessoas, trabalhar em televisão não era um sonho de criança. Não sonhei esse mundo, nem desejei esse trabalho. Por força das circunstâncias acabei por aceitar uma oportunidade que surgiu. Na altura, na minha cabeça, seria temporário. Ainda estava a estudar, Letras e Literaturas Modernas, e tinha objectivos bem definidos. Mas acabei por gostar muito do que fazia e aí sim, escolhi e decidi ficar. E passaram-se 17 anos!

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O que fazes agora?

Dou aulas de português para estrangeiros e de francês.

Qual foi o primeiro sintoma da vontade de mudança?

O primeiro sintoma de mudança veio com o repetido sufoco de não poder estar presente em ocasiões familiares em que a minha ausência não me fazia qualquer sentido : em caso de doenças ou até de datas alegres. Eu queria lá estar e não podia. Isso foi-me matando.

O que te impulsionou a passares à ação?

A maturidade que a idade nos vai trazendo, se permitirmos, leva-nos a um maior discernimento quanto ao que queremos e, sobretudo, ao que não queremos. Aliada à maturidade, cresceu uma grande insatisfação. Meses e anos a acelerar pelo tempo fora para alcançar quase nada. O esforço era enorme e o retorno não compensava. E quando olhava à minha volta percebia que muito pouco iria mudar para melhor. Então, cheguei à conclusão que quem tinha de mudar era eu. Iniciei assim um brainstorming diário na busca de alternativas profissionais.

Tem sido fácil? Quais têm sido os maiores desafios?

Fácil não é, mas difícil não é impossível. E aprendi desde sempre que não se tem nada sem nada, portanto só me resta continuar a esforçar-me, com o excelente sabor de que estou com rumo. O maior desafio tem sido voltar a estudar assiduamente ( quando se ensina nunca se deixa de estudar) e elaborar aulas que sejam atractivas. Mas escudei-me com  um curso que serviu de refresh. Embora o ensino estivesse sempre presente ao longo destes anos através de explicações e até aulas on line, agora já não é um hobby. E digamos que começar de novo aos 41 requer uma energia extra.
Outros dos desafios, é a adaptação ao ritmo saudável que encontrei. A velocidade do trabalho em televisão é maioritariamente alucinante. De repente, perceber que, por exemplo, física, mental e financeiramente cinco horas por dia cinco dias por semana são a tua equação, também requer disciplina porque é fácil caíres no erro de mais e mais.

O que procuras?

Procuro qualidade de vida que passa pelo equilíbrio entre os nossos deveres e os nossos lazeres. Continuo a trabalhar, mas desta feita com tempo para mim e para quem gosto, família e amigos.

Já encontraste?

Encontrei sim. Mudar de vida profissional permitiu que tivesse mais tempo, ou melhor dizendo, permitiu que eu gerisse verdadeiramente o meu tempo. Afrouxei o ritmo e comecei a viver dando importância ao que me faz sentido. Considero sinceramente que comecei mesmo a viver. Por outro lado, o contato com diferentes pessoas de múltiplas nacionalidades, tanto no ensino como no trabalho voluntário que faço, traz-me de volta a humanização há muito ausente e esta tem sido uma parte fascinante desta nova jornada.

Já te arrependeste em algum momento?

Não. Não me arrependi nem um segundo! E, francamente, tenho sérias dúvidas que isso algum dia aconteça.

 

 

By the root / Pela raíz

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Já repararam  que não tenho publicado notícias da horta ?

Desenganem-se os que pensam que estou distraída… Nada é ao acaso e este meu silêncio tem uma forte razão de ser.

Há uns anos atrás o meu sogro pediu autorização para ocupar uma parcela dum terreno quase abandonado mesmo em frente a casa. O pedido foi-lhe simpaticamente cedido tendo em conta que não existiam, da parte do proprietário, intenções de tirar maior proveito deste pedaço de terra. Há menos tempo ainda, o meu marido resolveu juntar-se ao pai e tomar conta da horta. Para além do gozo que dava semear, plantar e regar, as colheitas foram sempre saborosas. Não sei como vos traduzir o luxo de decidir fazer uma salada para o almoço e simplesmente descer as escadas e apanhar alface, tomate, beterraba, pepino, pimentos, entre outros alimentos frescos. Isto é São Pedro do Estoril, não uma zona rural!

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Mas este luxo foi sol de pouca dura. No verão passado, ao regressarmos de umas inesquecíveis férias, recebemos a triste notícia de que teríamos um mês para nos desfazermos das culturas. O terreno iria ser vedado e a horta deixaria de existir. Incrédulos questionámos o porquê da necessidade de isolarem o terreno. Uma vez mais, não foram apontadas intenções de maior aproveitamento desta fértil terra. A razão que nos foi transmitida é a de que os sócios discordam quanto a esta cedência e corta-se assim o mal pela raíz. E foi exactamente o que fizemos a tudo o que tínhamos plantado e não conseguimos consumir nesse espaço de tempo.

Passados seis meses, hoje, as hortas foram efectivamente destruídas ( existiam mais duas ou três), mas o terreno continua de braços abertos a todos os que quiserem passear os cães ou simplesmente estacionar os carros.
O ter procrastinado a escrita deste texto foi por precisamente ainda não ter digerido este episódio. É certo que o terreno não é nosso, mas estávamos a saber usá-lo melhor do que os seus proprietários e sem incomodar ninguém. Enfim! A proximidade da horta com a minha casa foi sempre um aspecto muito positivo, mas hoje, é o lembrete constante do quão estúpido, nós, seres humanos, conseguimos ser.

Vejam a horta agora:

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Witness 7 / Testemunho 7 N.

N.

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O que fazias?

Fazia exatamente o que faço hoje, sou jurista! A minha mudança não foi ou é profissional! A minha mudança de vida ocorreu no campo amoroso.

Sou da geração do “ We went from school to a job to a wife to instant parenthood…”, e assim foi! Excelente aluno, bom miúdo, generoso, bom profissional, portanto era socialmente previsível o preenchimento das outras duas condições: casar e ter filhos!!
E assim foi, duas filhas fantásticas, a razão pela qual achei que deveria “morrer” e “ renascer”.
E durante esse período via a vida passar e escondia-me, ou tentava passar por entre os pingos da chuva, a tentar negar uma realidade que a muitos pareceria óbvia. Este arrastar pela vida era tão somente alegrado pelas minhas pequenas! Até ao dia em que percebi que por elas, como exemplo para elas, não me podia continuar a arrastar pela vida, sequer usar máscaras ou esconder-me!
O que fazes agora?
Agora vivo, tal como qualquer ser humano com os altos e baixos do dia a dia.
Não tenho necessidade de erguer bandeiras ou de gritar aos sete ventos a minha orientação sexual, mas deixei de ter vergonha de a esconder. Vivo mais leve, com mais alegria e autenticidade! Sem necessidade de perfeição, com a consciência de que há dias que sou mais perfeito que outros.
 
Qual foi o primeiro sintoma da vontade de mudança?
 
A dúvida! Foi não ter certeza onde pertencia. Se é certo que o conforto de uma família me deixava tranquilo, também é certo que a curiosidade pelo sexo masculino aumentava e me atormentava. Está dúvida levou-me a ser honesto com quem de direito, e a “deixar” a família para perceber quem era e o que queria!
Seguiu- se a busca por auxílio, recurso a terapia e afins até perceber com toda a certeza qual o caminho que eu queria traçar e os trilhos que ia seguir.
 
O que te impulsionou a passares à ação?
 
Antes de qualquer coisa: as minhas filhas, pode parecer contraditório e muitos não entenderão, mas que pai é aquele que ensina os filhos a viver disfarçados, envergonhados?! E foi isso que me fez dar o primeiro passo… o querer ser exemplo! Depois o respeito pela mãe das minhas filhas, que tinha o direito a ser feliz e certamente não o seria na sua plenitude comigo!
Por fim, o cansaço que para mim foi uma força motriz para avançar. Quando estamos muito cansados tomamos decisões que parecem loucas, mas são acertadas.
 
Tem sido fácil? Quais têm sido os maiores desafios?
 
Tem sido bom! Desafiante! Os desafios neste caso, e que foi em mim sempre bem controlado, foi não querer de repente viver tudo de forma repentina, ou seja, por não ter vivido as coisas naquela altura seria expectável que as quisesse viver agora. E tão fácil que é hoje em dia marcar encontros, ter ilusões de romance, enganar e ser enganado em universos paralelos que são somente virtuais. O maior desafio é exatamente ser fiel aos princípios pelos quais me regia enquanto heterossexual! E não querer agir que nem um teenager louco, situação que seria além de outras coisa vá… ridícula!
 
O que procuras?
 
Viver com dignidade! Com respeito por todos e agir de forma a poder ser respeitado.
Procuro poder ser mais feliz a cada dia, sempre com a convicção que nenhum estado de espírito é constante, portanto se conseguir ser totalmente feliz meia dúzia de horas por dia já é excelente.
Quero ser ou continuar a ser bom pai, a dar exemplo de respeito, de alguma coragem, de ser verdadeiro com os outros e connosco.
Conforto, não material, mas conforto nos abraços dos amigos, numa sopa alentejana, um copo de vinho partilhado a uma conversa  interessante, coisas tão pequeninas e que parecem tão irrelevantes mas que nos confortam e nos dão ânimo para dar mais uns passos!
 
Já encontraste?
 
Já! Sou um sortudo!! Já encontrei amor! Já escolhi os amigos que são realmente amigos e que merecem que eu seja amigo! Já encontrei a sopa alentejana! Mas tendo já encontrado aquilo que são os pilares para este recomeço, tenho a consciência e abertura para saber que há sempre algo novo a encontrar, mais amigos, mais conversas, mais coragem, mais força!
 
Arrependeste-te em algum momento?
 
Nunca!! Como não foi um “processo” para o qual me tenha atirado de cabeça, mas ao invés, foi precedido de um período de reflexão, de descoberta de verdades, de investimento em saber o que queria, foi uma mudança bem “amadurecida”. E nem com os contratempos que a vida nos apresenta, nunca senti arrependimento. Cada queda sempre foi encarada como uma lição e a ilação que sempre retirei é que para a próxima correria melhor de certeza… e tem corrido!

Witness 6 / Testemunho 6 Sofia

Sofia mais feliz

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Não te posso dizer que mudei radicalmente de vida. Pelo menos, aquela que habitualmente ouvimos falar: mudar de carreira, mudar de país ou iniciar um negócio próprio.  A minha mudança aconteceu num lugar menos visível mas, arrisco a dizer, que não menos importante que os anteriores. Essa mudança veio e vem a acontecer aqui dentro… de mim.

 

O que fazias?

A minha mudança não foi disruptiva, ela foi e continua a ser um processo evolutivo. Este processo não é algo “novo” que está a acontecer, mas sim algo que sempre existiu em mim, e que estou a aprender (ou reaprender?) a “resgatar”. Mas não nego que trazer à luz da consciência coisas minhas inexploradas ou adormecidas, traz sempre um saborzinho de novidade. Isto porque, na prática, a perspectiva da realidade e, consequentemente, a própria realidade em si, alteram-se de forma irreversível. 

Mas tentando enquadrar-me na questão que me fazes, “antes” era como se eu vestisse uma personagem. Uma personagem que eu tinha criado com base em alguém que eu admirava. Assumi que aquela personagem era a certa para mim, e não equacionava sequer ser eu mesma.  

A comparação é algo humano e natural, o problema é quando deixamos de utilizá-lo como fonte de inspiração, para passar a ser um bloqueio e anulação da nossa própria natureza.

E foi isso que aconteceu comigo.  

 

O que fazes agora?

Ando a vestir-me de mim mesma. Ou melhor, a despir-me da personagem que durante tantos anos vesti. É um processo tão duro quanto maravilhoso. 

 

Qual foi o primeiro sintoma da mudança?

Como te disse,tem sido um processo.

Fui tendo pequenos sinais de como muita coisa não estava a correr bem na minha vida (interna e externamente). E demorei a perceber que era porque me auto-negava.

Houve 3 fatores que ajudaram a despoletar e acelerar o processo: um terapeuta que me ajudou a trazer muita coisa à consciência, a meditação que me permitiu escutar-me e o blog que funcionou como um catalizador de tudo o que estava a resgatar em mim.

Para além destes fatores, existiu um episódio que aconteceu comigo em termos profissionais que funcionou como um turning point. Atingi um objectivo profissional há muito desejado e, quando lá cheguei, percebi que não queria nada daquilo. Pudera! Aquele objectivo não era meu, não vinha da minha essência. Nessa altura senti-me sem rumo, afinal, o objectivo não me satisfazia e teria de pensar o que realmente queria eu queria ser e fazer. E nessa altura, não tive escolha: tive de olhar para dentro.

 

O que te impulsionou a passares à acção?

 Depois do caos, comecei a pensar que tinha de fazer alguma coisa. E fiz! Larguei esse objetivo seguro mas que não era meu e lancei-me no desconhecido, esperando mesmo que o destino interecedesse a meu favor. Mas mais do que o medo que sentia, havia em mim uma confiança que eu não sabia bem de onde vinha. Agora sei. É a confiança de alguém que age por si mesma, de acordo com a sua essência.  E a verdade é que o destino, a sorte, Deus, ou seja o que for, intercedeu mesmo. A minha vida melhorou em 200% e esse episódio foi um marco na minha vida.

 

Tem sido fácil?  Quais têm sido os maiores desafios?

 A partir do momento em que se dá o turning point, as coisas mudam e acontecem por si. Hoje sei que não faço algo que não tenha mais a haver comigo, porque isso já não me faz sequer sentido. Porque não vou ser outra pessoa que não eu. E chega a ser caricato pensar que, durante tanto tempo, colocámos algo tão essencial em causa.

Com a mudança de pensamento / perspetiva, tudo se torna mais fácil: ter foco, ver oportunidades ou valorizar os pontos fortes.

Uma coisa é certa: o outcome (o resultado) só surge depois do shift interno (a mudança / resgate).

Hoje, posso dizer que os meus maiores desafios são vestir-me de mim mesma em áreas mais profundas e menos pragmáticas

 

O que procuras?

 Ser, a cada dia que passa, cada vez mais eu. Se fizer do coração / intuição a minha bússola principal, sei que chegarei sempre a bom porto.

 

Já encontraste? 

Vou encontrando, e cada vez (me) encontro mais, mas… It is a never ending process 😉

 

Já te arrependeste?

 Arrependimento é uma coisa muito forte, mas sim. 

Consigo sentir um certo arrependimento de ter feito coisas que não tinham nada a haver comigo, embora de forma inconsciente. Ainda, lamento não ter feito o shift mais cedo, mas também tenho consciência de que precisei de passar por algumas coisas para que ele pudesse acontecer.

https://aindamaisfeliz.blogspot.pt

To change (part 3) / Mudar (parte 3)

 

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Mudar de trabalho, mudar de cidade ou país é um desafio que requer coragem e determinação. Talvez por isso muitos de nós resistam tanto à mudança. As razões são tão variadas quanto a diversidade que nos constitui. Afinal, cada um sabe de si. Viva a liberdade de escolha e o respeito pela mesma!

Os testemunhos publicados no blogue até hoje, o Luís , a Sandra , a Vanda , a Mia e a Marta & Tiago , relatam-nos mudanças com resultados visíveis profissionalmente. Existirão outras?

Nos próximos dias serão publicados testemunhos de pessoas que também mudaram, mas sem sair do lugar… visivelmente.

Inspirem-se!

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Hamburgueria do Estoril

Se para uns cozinhar é uma maneira de descomprimir, para mim é totalmente ao contrário. Acabar o dia ou a semana a cozinhar uma refeição sempre foi um grande aborrecimento. Começar também! O esforço é tal que me suga energia. Já tentei receitas de peixe e de carne, rápidas e lentas, portuguesas e francesas em tachos tradicionais ou até aparelhos especiais. O resultado é sempre o mesmo quanto ao gozo: nenhum. Foi sempre assim e continua a ser.
Ao contrário do que é habitual, a passada sexta-feira foi mais sobrecarregada em trabalho. Quando o relógio anunciou o meio da tarde percebi que estava mais perto da hora de jantar. Mais minuto menos minuto teria de pensar em algo para fazer ou então… teria de ir jantar fora. Não demorei tempo algum a tomar a minha decisão. Enviei uma sms ao meu marido, que também iria chegar fora de horas para preparar uma refeição, a partilhar onde seria o jantar.

Conheço alguns restaurantes perto de minha casa e hoje venho destacar o que escolhi num serão chuvoso e de muito cansaço: a HAMBURGUERIA DO ESTORIL .

Quem está no jardim do Casino do Estoril de frente para o mesmo com o mar nas costas, verá este simpático e aconchegante espaço do lado direito.  Existem monitores de tv estacionados no mesmo canal, cuja música serve de fundo sonoro.
A hospitalidade é calorosa.
Os menús são simples na explicação, mas requintados no sabor.
A limonada, entre tantas outras bebidas, é das melhores que já bebi!
As sobremesas dão o toque perfeito à conclusão da refeição.
Mas tudo isto digo eu que sentei, conversei, escolhi, conversei, comi, conversei, sorri, conversei, paguei, despedi-me e saí feliz.
Uma salva de palmas a quem nos recebe sempre com um grande e lindo sorriso e a quem dirige o cockpit deste saboroso cantinho!

Quando vos apetecer, experimentem e digam-me de vossa justiça!

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HAMBURGUERIA DO ESTORIL

Witness 5 / Testemunho 5 Marta & Tiago

 

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O que faziam?

Eu era IT Manager e a Marta Directora Técnica de farmácia.

O que fazem agora?

Somos proprietários e anfitriões de um Turismo Rural no Algarve.

Qual foi o primeiro sintoma da vontade de mudança?

O nascimento do nosso filho transformou-nos e com essa transformação veio a vontade de mudar. 

O que vos impulsionou a passarem à ação?

A sensação de que com a vida que levávamos não teríamos o tempo que consideramos necessário para uma vida saudável em família e poder acompanhar o crescimento do Francisco assim como dar-lhe a educação que gostaríamos.

Tem sido fácil? Quais têm sido os maiores desafios?

Fácil nunca é! Adaptarmo-nos a fazer uma coisa para a qual não tínhamos experiência exige sempre um esforço adicional, mas, acima de tudo, tem sido bastante motivante ver o resultado do nosso esforço espelhado na cara de quem nos visita e nos comentários na Internet.

O que procuram?

Procuramos fazer sempre mais e melhor pelos nossos clientes, mas sem nunca esquecer que o que nos levou a trocar de vida: ter tempo de qualidade em família.

Já encontraram?

O equilíbrio nunca é fácil, pois quando trabalhamos para nós o trabalho nunca acaba. É preciso ter disciplina para nos impormos rotinas que nos permitem parar de vez em quando.

Já se arrependeram em algum momento?

Sempre acreditámos que iria ser difícil. Ambos fazíamos o que gostávamos e tínhamos sucesso nisso, mas a verdade é que hoje já não nos vemos a voltar ao que fazíamos. Desde pequenos somos guiados para estudar, para ir para a faculdade, para arranjar um emprego na área em que nos formamos e depois ter sucesso nessa função e esquecemo-nos muitas vezes que há outras alternativas, outros caminhos. Somos muito felizes a fazer o que fazemos hoje, esforçamo-nos muito para melhorar diariamente e, no meio de toda a responsabilidade e trabalho, temos tempo para estar em família, para vermos o Francisco crescer e para aproveitarmos a vida à nossa maneira. 

Conversas Analog 133

http://www.conversasdealpendre.com

 

 

 

 

 

 

Witness 4 / Testemunho 4 Mia

Maria João Freitas – Mia

O que fazias?
Trabalhava em TV, na produção de programas de entretenimento, em Lisboa. Era uma apaixonada pelo que fazia.

O que fazes agora?
Estou em Londres há dois anos. E já não trabalho em TV. 
Continuo a trabalhar na mesma indústria mas noutros formatos e como editora de vídeo. A minha grande mudança foi a de país, e isso trouxe-me outras mudanças atrás e a vida profissional foi uma delas.

Qual foi o primeiro sintoma da vontade de mudança?
Eu sempre fui muito independente e desde miúda sempre tive vontade de ir para fora, de conhecer uma nova cultura, de abrir horizontes. Nunca parecia ser a altura certa – acho que fui sempre muito feliz o que dificultava a mudança em si – mas os sintomas estavam todos lá em forma de sonho. 
Talvez o facto de viajar bastante com os meus pais me trouxe isso também. Fascinava-me ver as diferenças cada vez que conhecia um lugar novo. As pessoas, a forma como interagiam, as ruas, os cheiros, o movimento… penso que sempre vivi numa urgência de conhecer mais e mais, e mudar de país está implícito.

O que te impulsionou a passagem à acção?
Uma altura menos boa da minha vida. E a minha mãe.
Tinha-me despedido do trabalho porque às vezes razões externas levam-nos a repensar as nossas escolhas. E era a altura certa e a minha mãe fez-me ver isso. Todos temos sonhos e os sonhos nunca passam disso porque deixamos sempre ‘para um dia’. E esse dia tinha chegado para mim – ou era ali ou nunca seria. 
Às vezes é melhor nem pensar muito. Mudei apenas.

Tem sido fácil? Quais têm sido os maiores desafios?
O maior desafio para mim é estar longe das minhas pessoas. E do sol. E isso nunca vai tornar-se fácil – apenas menos difícil.
Ao início tudo nos põe à prova, as mais pequenas coisas. Tive de trabalhar num pub para pagar a renda e, mesmo tendo a sorte de arranjar um trabalho na indústria, tive de mudar de ramo e foi difícil porque produção televisiva era e continua a ser a minha paixão.
Mas o truque é pensar no que sonhámos até ali e acreditar que depois dos passos todos que temos de dar para trás, virá uma enorme recompensa. E sou hoje uma mulher bem mais forte.

O que procuras?
Procuro sempre conhecer, crescer e criar as melhores memórias que possa. 
Sei que um dia isto vai acabar e vou querer sorrir e dizer às pessoas “que bons tempos aqueles em que estive em Londres” e sentir orgulho em mim.

Já encontraste?
Para dizer a verdade acho que sim! Obviamente há sempre mais para conhecer, para crescer e há sempre mais memórias para criar, mas passados estes dois anos sinto que o meu sonho está concretizado. Mas encontrei um grande amor também. E agora só tenho de esperar que ele queira voltar comigo para Portugal!

Já te arrependeste em algum momento?
Já. Lembro-me que chorei muito ao início, foi uma mudança demasiado radical. Não foi só de país mas de qualidade de vida e quando me confrontei em condições completamente diferentes das que tinha o arrependimento surgia, às vezes.
Um dia quando ainda estava a trabalhar em bares, mandaram-me limpar uma casa de banho. Eu limpei-a e no fim do meu turno só queria voltar à minha vida – senti que a mudança e que o meu sonho não tinham resultado. Mas ainda bem que respirei fundo e a força venceu.

 

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To change (part 2)/ Mudar (parte 2)

 

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Photo by Ross Findon on Unsplash

 

Segundo todos os testemunhos publicados até hoje, mudar de profissão requer coragem e determinação. O Luís ,  a Sandra e a Vanda mudaram de profissão, mas mantiveram-se em casa, geograficamente falando.

Como será a mudança para quem inicia uma nova atividade profissional numa cidade ou até num país diferente?

Nos próximos dias teremos o privilégio de ouvir, na primeira pessoa, os testemunhos de quem, para além de abraçar novos sectores profissionais, decidiu também ir viver para outras terras.

Pára, lê e inspira-te!

 

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